Alta renda não garante riqueza: o desafio financeiro dos médicos, segundo Alexandre Augusto Gomes Alves

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Médico mostra por que profissionais bem remunerados podem chegar ao auge da carreira sem patrimônio proporcional

A medicina é uma profissão associada à alta qualificação técnica e, em muitos casos, à elevada capacidade de geração de renda. Mas ganhar bem não significa, necessariamente, construir patrimônio. Esse é um paradoxo que o médico Alexandre Augusto Gomes Alves identificou ao longo de 31 anos de carreira.

Com mais de duas décadas dedicadas à estética e ao contorno corporal, o médico acompanhou a trajetória de centenas de colegas e percebeu que profissionais tecnicamente bem-sucedidos muitas vezes encontravam dificuldades para transformar a renda do trabalho em patrimônio sólido e duradouro.

O cenário ganha dimensão diante do tamanho da categoria. O Brasil já soma cerca de 635 mil médicos ativos, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). Para Gomes, entretanto, a educação financeira ainda não acompanha a formação técnica desses profissionais. 

“Existe uma diferença fundamental entre ganhar muito dinheiro e construir riqueza. Uma renda elevada cria oportunidades, mas não garante independência financeira”, afirma.

A aproximação do médico com as finanças começou pela administração do próprio patrimônio. O interesse evoluiu para uma formação acadêmica, com pós-graduação em Finanças, Internet e Banking pela PUCRS.

A experiência profissional entre Brasil e Estados Unidos também ampliou sua visão sobre investimentos, moedas, sistemas tributários e diversificação patrimonial.

Para ele, a questão central está em entender que a carreira é responsável pela geração de renda, mas não deve ser a única fonte de segurança financeira.

“A carreira médica é o maior ativo do médico, mas o patrimônio é o que proporciona liberdade. A profissão gera renda; o patrimônio gera independência.”

O desafio de transformar renda em patrimônio

Na avaliação do especialista, um dos principais problemas está na chamada inflação do estilo de vida. À medida que a renda cresce, despesas e padrão de consumo também aumentam.

Divulgação

Entre os erros mais comuns estão assumir compromissos financeiros sem planejamento de fluxo de caixa, concentrar patrimônio em poucos ativos, manter recursos excessivamente dependentes de uma única moeda e direcionar grande parte da renda para bens que sofrem rápida depreciação.

“Existe uma enorme diferença entre aparentar riqueza e efetivamente construir riqueza.”

O problema pode se tornar mais evidente entre os 40 e 50 anos, quando alguns profissionais percebem que décadas de alta renda não resultaram em um patrimônio compatível com sua trajetória. 

Planejamento financeiro para além da carreira

A previdência também é um ponto de atenção. Em 2026, o teto do Regime Geral de Previdência Social está em R$ 8.475,55, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para profissionais cuja renda supera esse limite, o planejamento previdenciário e patrimonial ganha ainda mais importância.

O médico defende que a construção de patrimônio seja tratada como uma obrigação financeira recorrente, e não como aquilo que sobra no fim do mês.

“Uma parcela da renda deve ser destinada sistematicamente à construção patrimonial antes de ser absorvida pelo aumento do padrão de vida.”

O especialista também destaca a diferença entre investir e planejar. Enquanto o investimento está relacionado à alocação dos recursos, o planejamento envolve objetivos, gestão de riscos, eficiência tributária, proteção e sucessão.

“Assim como acompanhamos indicadores clínicos dos nossos pacientes, devemos acompanhar regularmente os indicadores financeiros do nosso patrimônio.” 

Diversificação e visão internacional

A atuação entre Brasil e Estados Unidos também levou Gomes a defender a diversificação internacional como parte de uma estratégia patrimonial, sempre de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor.

Como exemplo de sua própria estratégia, e sem tratar a composição como recomendação, ele afirma manter cerca de 35% da carteira em renda fixa, 35% em ativos dolarizados, 20% em ações brasileiras e 10% em ativos alternativos.

O médico ressalta que a diversificação internacional exige atenção também às regras tributárias brasileiras, especialmente após as mudanças promovidas pela Lei nº 14.754/2023, que estabeleceu novas regras para aplicações financeiras no exterior. 

Patrimônio como liberdade e tranquilidade

Para Alexandre, o objetivo final do planejamento financeiro não é ostentação, mas liberdade de escolha. No caso dos médicos, isso pode significar trabalhar menos, dedicar mais tempo à família ou continuar exercendo a profissão por escolha, e não por necessidade.

“Patrimônio não nasce de um investimento extraordinário, mas da disciplina de investir de forma consistente durante muitos anos.”

Depois de três décadas na medicina, o especialista resume sua mudança de perspectiva:

“A medicina me ensinou a construir uma carreira. As finanças me ensinaram a proteger tudo aquilo que essa carreira foi capaz de construir.”

Sobre Alexandre Augusto Gomes Alves

Dr. Alexandre Augusto Gomes Alves é médico formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) há 31 anos, especialista em Cirurgia Geral (RQE), Mestre pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e PhD em Health Science pela Emil Brunner University, em Miami, Estados Unidos.

Possui formação complementar internacional em cirurgia plástica, com fellowships realizados em Milão, na Itália, e em Miami, nos Estados Unidos, além de pós-graduação em Cirurgia Plástica reconhecida pelo MEC.

Com mais de três décadas de atuação médica e mais de duas décadas dedicadas à estética e ao contorno corporal, atua entre Brasil e Estados Unidos, integrando experiência clínica, planejamento patrimonial, investimentos e educação financeira voltada aos médicos. É também pós-graduado em Finanças, Internet e Banking pela PUCRS.

Instagram: @dr.alexandre.augusto

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